Literatura na EJA

Resistência no Trapiche: o RPG da EJA

Um jogo modelado para fins pedagógicos que segue os princípios sociointeracionistas e as práticas pedagógicas para o ensino de literatura na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Sobre o Projeto

O Resistência no Trapiche: o RPG da EJA surge a partir da pesquisa do Mestrado Profissional em Educação de Jovens e Adultos da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) do estudante Anderson da Silva Santos, sob orientação e coordenação do professor Dr. Amilton Alves de Souza.

A proposta será desenvolvida com estudantes da EJA/Ensino Médio do Serviço Social da Indústria (SESI), Unidade Retiro, em Salvador, e terá a leitura literária como eixo das interações entre estudantes, professor e interface narrativa digital.

O material destina-se à apresentação do estudo à comunidade acadêmica e escolar. Sua redação acompanha a etapa de planejamento descrita na dissertação: os círculos pedagógicos ainda serão realizados, e as contribuições da proposta dependerão da investigação no campo.

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Enredo

A obra como eixo

A obra de Amado (2008) será o eixo de leitura e interpretação. O planejamento deverá considerar a forma narrativa, as vozes que disputam sentidos, a caracterização das personagens e a relação entre espaço e experiência social. As situações do jogo buscarão tornar essas dimensões objeto de diálogo, evitando reduzir o romance a um conjunto de lições morais.

Os círculos pedagógicos articularão leitura, escolha narrativa, discussão e reelaboração. A participação será organizada com escuta e alternância de funções, em diálogo com Freire (1996). O contexto de trabalhadores-estudantes, discutido por Arroyo (2017), orientará a duração e as possibilidades de retomada dos encontros.

Indicadores de leitura crítica

  1. Reconhecer a posição de quem narra e as vozes silenciadas.
  2. Identificar, em passagens conferidas de Amado (2008), estigmas raciais, expectativas de gênero, intolerância religiosa e negação de direitos.
  3. Confrontar interpretações com o texto.
  4. Distinguir a Salvador do romance da cidade contemporânea.
  5. Propor novas perguntas sem atribuir culpa às vítimas.
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Perguntas Frequentes

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Este guia esclarece a participação de estudantes e docentes na pesquisa “Capitães da Areia por meio do RPG Digital: círculos pedagógicos para o ensino de literatura na Educação de Jovens e Adultos”, situada na EJA/Ensino Médio do SESI Retiro, em Salvador. As respostas se referem ao planejamento pedagógico da dissertação e deverão ser atualizadas após a aplicação e a verificação da interface utilizada.

Compreensão da proposta

Qual é a finalidade da experiência?

A proposta investigará como a leitura de Capitães da Areia, articulada à interpretação de papéis e aos círculos pedagógicos, poderá contribuir para o letramento literário crítico, a leitura de mundo e o engajamento dos estudantes. As contribuições serão analisadas durante a pesquisa; não constituem resultados já demonstrados.

O que é um jogo de interpretação de papéis neste estudo?

Será uma experiência narrativa em que os participantes poderão assumir perspectivas de personagens e construir ações coletivamente. O mediador apresentará uma situação relacionada ao romance, e o grupo discutirá possibilidades, justificará escolhas e examinará seus efeitos. Cada decisão deverá manter relação com o texto lido e com o problema proposto.

Será necessário conhecer jogos digitais?

O planejamento deverá acolher participantes com diferentes experiências tecnológicas. Antes das atividades, haverá apresentação da dinâmica, leitura das orientações e experimentação acompanhada. A familiaridade com dispositivos não será tomada como medida da capacidade de interpretar literatura.

A atividade substituirá a leitura do romance?

Algumas perguntas exigirão localizar informações do texto; outras apresentarão problemas interpretativos abertos. Nestas, será necessário sustentar a leitura com elementos da obra, ouvir outras perspectivas e reconhecer limites do argumento. Divergências justificadas poderão enriquecer a discussão. O reconhecimento de direitos e a identificação de vozes silenciadas serão examinados pela fundamentação literária, sem exigir concordância moral com o mediador.

Todas as cenas estarão no livro?

As situações criadas para o jogo serão identificadas como adaptações pedagógicas. As ações imaginadas pela turma não deverão ser apresentadas como acontecimentos do romance. O mediador distinguirá o que está no texto, o que resulta de uma interpretação e o que foi inventado durante a atividade.

Haverá uma única resposta correta?

Será uma experiência narrativa em que os participantes poderão assumir perspectivas de personagens e construir ações coletivamente. O mediador apresentará uma situação relacionada ao romance, e o grupo discutirá possibilidades, justificará escolhas e examinará seus efeitos. Cada decisão deverá manter relação com o texto lido e com o problema proposto.

Participação dos estudantes

Como serão organizados os grupos?

A composição será ajustada ao número de participantes e às condições da turma. Poderão existir funções rotativas de interlocução, registro, leitura e articulação com o território. Elas servirão à colaboração e não estabelecerão hierarquias entre estudantes ou classificações fixas de suas capacidades.

Será obrigatório interpretar uma personagem em voz alta?

O planejamento deverá oferecer alternativas de participação, como leitura em dupla, contribuição escrita, registro coletivo ou escuta acompanhada de uma síntese posterior. Exposição oral e dramatização não serão impostas. O estudante poderá comunicar ao mediador as condições em que se sente à vontade para participar.

Quem serão as personagens?

Qualquer estudante poderá pedir a interrupção de uma cena que contenha discriminação, violência ou constrangimento, solicitar mediação ao professor, optar por outro papel ou acompanhar a atividade em modalidade alternativa. A mudança não exigirá justificativa pessoal nem acarretará exposição pública, punição ou prejuízo pedagógico.

Poderão ser mobilizadas personagens de Capitães da Areia nas cenas adaptadas, com caracterização e relações conferidas no romance. O professor poderá interpretar personagens durante a condução da narrativa. Sua função pedagógica, entretanto, será distinta do papel ficcional que assumir momentaneamente.

Para que poderão servir os dados?

Dados ou sorteios poderão introduzir uma mudança de cenário, caso o grupo considere esse recurso pertinente. Eles não determinarão aprendizagem, nota, capacidade leitora, consentimento ou estados emocionais dos participantes. Uma escolha poderá ser analisada e revista independentemente do resultado aleatório.

Como as escolhas serão registradas?

Cada grupo poderá registrar a ação escolhida, sua justificativa, o elemento do romance mobilizado e uma interpretação alternativa. O suporte será definido conforme as condições verificadas: registro digital, texto coletivo ou anotação mediada. A produção não será reduzida à seleção de uma alternativa pronta.

O que ocorrerá se houver dificuldade de leitura?

O professor poderá retomar o trecho, explicar vocabulário, organizar leitura compartilhada e oferecer tempo adicional. Essas decisões decorrerão da escuta dos participantes e da observação da atividade. O acompanhamento deverá valorizar os saberes existentes e evitar a exposição pública de dificuldades, em coerência com Freire (1996).

Será preciso relatar experiências pessoais?

Não. A relação entre literatura e território poderá ser construída a partir de situações públicas, observações gerais ou exemplos ficcionais. O participante decidirá se deseja compartilhar alguma experiência. Ninguém precisará relatar violência, constrangimento ou informações familiares para sustentar uma interpretação.

Acesso e recursos digitais

Como será feito o acesso à interface?

O procedimento dependerá da versão selecionada para a aplicação. O mediador deverá verificar o funcionamento e apresentar somente as instruções confirmadas. Este guia não estabelece telas, botões, contas ou endereços eletrônicos, pois os anexos de referência não comprovam sua implementação no projeto da dissertação.

Antes da aplicação, o mediador testará, com participantes e nos equipamentos disponíveis, ampliação da fonte, contraste, navegação por teclado sem bloqueios, leitura por tecnologias assistivas, descrições de imagens e alternativas impressas ou orais. Serão observadas tarefas reais (ler uma cena, escolher e registrar resposta), documentadas as barreiras e providenciadas adaptações. Recursos não testados não serão anunciados como implementados.

Será necessário possuir celular ou internet próprios?

As condições de acesso serão levantadas no diagnóstico. O planejamento deverá considerar participação compartilhada e alternativas compatíveis com a estrutura da escola. O uso de equipamento pessoal não será presumido como condição já atendida por todos os estudantes.

O ambiente terá chat e exportação de arquivos?

Esses recursos poderão ser considerados no desenvolvimento, mas deverão ser verificados antes da aplicação. Quando não estiverem disponíveis, o mediador poderá organizar um registro textual autorizado por outro meio. A análise da pesquisa deverá distinguir as interações efetivamente digitais das atividades realizadas em suporte alternativo.

Como será tratada a acessibilidade?

As necessidades serão identificadas em diálogo com os participantes. O planejamento poderá incluir ampliação de texto, contraste adequado, navegação por teclado, descrição de imagens e leitura mediada. A compatibilidade com tecnologias assistivas deverá ser testada; a simples presença de um campo de descrição não comprova a acessibilidade de toda a interface. A validação será feita por tarefas de uso, com registro das barreiras relatadas, correções e nova verificação.

O que fazer se houver falha técnica?

O mediador poderá interromper a interação, retomar a cena oralmente ou utilizar o texto impresso, preservando a participação. A falha e a solução adotada serão registradas para o refinamento. O estudante não será responsabilizado por problemas do dispositivo ou da conexão.

Mediação docente e acompanhamento

Como preparar um círculo pedagógico?

O professor deverá selecionar o trecho, explicitar o objetivo de leitura, organizar uma situação narrativa e prever questões para o diálogo. Também deverá conferir recursos, tempo, alternativas de participação e forma de registro. O encontro deverá reservar espaço para leitura e reflexão após as escolhas do grupo.

Como acompanhar a aprendizagem?

Serão observadas a relação entre interpretação e texto, a qualidade das justificativas, a revisão de ideias, a autoria e a participação nas interações. Os registros terão caráter formativo. Rapidez de digitação, quantidade de mensagens e sorte nos dados não serão equivalentes a aprendizagem literária.

Como distinguir avaliação pedagógica e participação na pesquisa?

A avaliação pedagógica acompanhará o percurso de leitura e produção. O uso dessas produções como informações da pesquisa dependerá do consentimento e dos procedimentos aprovados. Recusar ou interromper a participação na investigação não deverá produzir prejuízo acadêmico ou institucional. A pesquisa prevê inicialmente participantes com 18 anos ou mais e Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE); a recusa não impedirá a realização de atividades equivalentes de aprendizagem.

Como a experiência será aperfeiçoada?

A abordagem DBR permitirá relacionar dificuldades observadas às decisões de revisão. Por exemplo, uma instrução que não seja compreendida poderá ser reformulada e novamente examinada. O registro deverá explicar o problema, a alteração e as evidências consideradas, conforme Matta, Silva e Boaventura (2014).

O jogo garantirá permanência escolar?

Não será possível atribuir esse resultado antecipadamente. Trabalho, transporte, responsabilidades familiares e condições institucionais atravessam a permanência, como discutido no referencial da dissertação. A pesquisa poderá analisar participação e percepções de engajamento, reconhecendo os limites de sua duração e abrangência.

Quem poderá consultar os registros?

O acesso será definido pelos procedimentos éticos da pesquisa e pelas autorizações pertinentes. Os materiais de análise e divulgação deverão utilizar identificadores protegidos e evitar informações que permitam reconhecer participantes. A produção compartilhada na atividade não autoriza automaticamente sua publicação externa.

O caderno de simulações prevê 15 personagens, cujas fichas e descrições deverão ser verificadas individualmente no romance (Documento 3). Os dados literários serão apresentados distintamente das opções artísticas e das habilidades hipotéticas do RPG. Não serão inferidas características morais ou capacidades a partir da cor da pele, do cabelo, da deficiência ou da origem social.

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